Dezembro chegando...

(Eis um extrato de um e-mail que eu havia direcionado ao nosso grupo, mas que compartilho com todos que por aqui aparecerem.)

Estamos chegando a Dezembro, mês que homenageamos nossas queridas mães Iansã e Oxum. Um mês corrido, pois o ano está terminando, e temos nossas ocupações terrenas, festas, enfim, mais um ano encerrando e outro novinho em folha chegando.

O Natal representa o nascimento do Menino Jesus em quase todas as religiões de origem ou com fundamentos católicos. E um dia de paz, de família, de amor, de confraternização. Nao é um dia de bebedeiras, de confusão, de discussões, de gritaria. E um dia em que devemos nos dedicar à paz, não somente à nossa. Na Umbanda, estranhamente, não temos um dia realmente dedicado a Oxalá. Talvez por Oxalá ser sincretizado como Jesus, o que corresponderia exatamente ao Natal, a meu ver. Portanto comemoremos o grande Pai de todos nós. Procurem ter uma toalha branca, bonita na mesa. Se não tiver, uma com algum motivo branco, clarinha ou florida. Coloquem frutas frescas e secas, paes, arroz branco ou doce, vinho branco, verde ou moscatel (sempre licorosos ou suaves). Pra não dar muita bandeira, eu sempre sugiro uma obrigaçãozinha básica e discreta: um prato oval de louça, um cacho de uvas verdes no meio e sete rodelas de pão em volta, regados, tanto o pão quanto as uvas, com um fiozinho de mel. Nao é o tamanho da oferenda que importa, e sim a essência. Portanto não precisa ser algo gigantesco. Pode ser uma coisinha discreta, desde que oferecida de coração. Acendam uma vela comum com um copo d’água ao lado, cedo, se forem receber visitas. Peçam a Oxalá pela paz e saúde de toda a família. Querendo, coloquem um cálice do vinho branco, verde ou moscatel. Também pode ser água mineral sem gás. No dia seguinte, podem repartir as uvas entre a família. Não precisa comer tudo. Uma basta. O restante, junto com o pão, deve ser entregue em uma graminha limpinha, no pé de uma árvore frondosa (que dê frutos, preferencialmente).

Um defumadorzinho de mirra, benjoim e alfazema, ou simplesmente de arruda verde também cai bem.

Vou passar um exercício a todos. Aliás, dois.
Um, no Natal. Tomem um momento para conversar com Deus. Pode ser no quarto de vocês, fechado, para que não sejam incomodados. Desliguem-se do mundo – desliguem celulares, computadores, qualquer coisa que os distraia. Sentem-se em uma posição cômoda. Coloquem um copo d’água entre os pés de vocês. Podem colocar uma musiquinha suave, caso queiram. Acender um incenso. Ou simplesmente ir para a natureza: uma praia, uma cachoeira, uma mata, uma pracinha tranquila, um gramado, e desliguem-se do mundo. Busquem a Deus. Tranquilizem seus pensamentos. Sempre que a cabeça estiver entrando naquele turbilhão louco, pensando em trabalho, no amanhã, no hoje, em alguém, repitam mentalmente a palavra “pensando”, e tentem esvaziar a mente. Se quiserem, tenham uma fruta entre as mãos enquanto fazem o exercício. E sintam a energia das mãos de vocês. Depois que terminarem, reverenciem o Divino com respeito, inclinando levemente a cabeça e com as mãos em forma de oração no peito, e comam a fruta em seguida, sentindo toda a energia positiva. E depois passem o copo circulando a cabeça, e descarreguem a água em água corrente ou na terra. Não é um momento de pedir, e sim de agradecer a Deus por serem quem vocês são, por terem o que vocês têm, e por não estarem sozinhos nesse mundo. Agradeçam por serem parte da natureza maravilhosa de Deus. Por serem um ponto de luz na constelação da humanidade. Por serem iluminados pela Umbanda. Vocês não precisam falar nada com Deus se não quiserem. Podem ficar em silêncio. Mas o grande desafio será silenciar a mente. Caso queiram, façam disso uma pratica saudável e regular. Mas quero que vocês o façam pelo menos no dia de Natal.

O segundo exercício será para a passagem do ano. Recolham-se por alguns minutos, de 15 a meia-hora, pelo menos. Só que dessa vez, eu façam uma reflexão séria sobre o ano que passou, materialmente e espiritualmente. Uma reflexão honesta: será que fui uma pessoa boa ou má? Será que eu me dediquei a todos da melhor forma que eu podia ou me dediquei mais a mim mesmo? Será que me dediquei a mim o tanto que merecia, ou me dediquei mais a viver a vida que me impuseram? Será que contribui com o meu crescimento de alguma forma? Será que contribui para o crescimento dos que me cercam? Será que disse ‘não’ quando devia? Será que disse ‘sim’ quando devia? Será que estou sendo honesto quando digo tanto ‘sim’ quanto ‘não’? Será que falei demais? Será que falei de menos? Onde será que eu posso melhorar? Onde eu sei que tenho que melhorar? Onde não tenho coragem de melhorar, mas terei que ter um dia? Será que estou realmente me entregando espiritualmente quando dos meus deveres? Será que tenho que ser ainda mais humilde? Será que já sei o suficiente para ensinar a quem eu julgo que não sabe? Será que sei realmente? Posso julgar? Será que estou no caminho certo? Será que eu ouço o meu coração de verdade? Que mensagem ele me passa agora, neste momento, em que estou só diante de mim mesmo? E por aí vai...
Acho que meia-hora será pouco...

Estes questionamentos fazem parte da nossa vida diária enquanto umbandistas. E jamais devem ser desprezados. Nunca se esqueçam de um fundamento muito importante: quanto mais se sabe, mais responsabilidade se deverá ter, e mais lhe será exigido pelo seu conhecimento. Quando entramos em contato com a espiritualidade, nossas cobranças kármicas aceleram. Karma é uma palavra de origem sânscrita, a qual designa a roda do dar e receber. Toda ação gera uma reação. Se você é bom, receberá algo bom. Se é ruim, receberá algo ruim, para descrever o princípio mais básico disso. Por vezes, temos a impressão de que não recebemos de acordo com o que damos, ou de que não merecemos o que recebemos. Isso porque não levamos em conta o que fizemos em existências anteriores, e que estamos pagando neste momento. As cobranças kármicas são normalmente escolhidas por nós mesmos antes de encarnarmos. Muitas vezes escolhemos sofrer para aprender por meio desse sofrimento algo que não aprenderíamos em uma vida tranquila. Aprender a dar valor a determinadas coisas ou a se desapegar de outras. Podemos abrandar nosso karma pelo fato de não adquirirmos mais pelas nossas ações atuais, vigiando nossos atos, nossas palavras, nossos julgamentos. Mas não podemos evitar cobranças anteriores pelo que já fizemos de bom ou de mal. Há coisas nas quais nossas entidades, mentores, orixás não podem interferir. Portanto, jamais blasfemem contra eles caso sintam-se “injustiçados”...

Então? Vamos nos preparar para o nosso Natal? 

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