Introducao "descompromissada" à Umbanda

A Umbanda surgiu como uma religião mediadora entre várias vertentes dentre o Espiritismo e outras de cultos cristãos, uma forma democrática de agregar elementos religiosos e tradições culturais dentro de muito respeito e humildade. Talvez por conta da sua característica humilde desde o principio, não lhe é dada a devida importância ou o devido respeito por algumas pessoas. Por conter elementos diferentes das outras religiões de base católica, causa estranheza aos que não a conhecem direito. Alguns temem que se trate de um culto velado ao diabo, de feitiçarias de toda sorte e de magia negra. Mas quando se aproximam de uma casa séria, essa primeira impressão desaparece e nasce o amor e o entendimento, a vontade de participar.
A Umbanda acredita em Reencarnação. Une o culto aos antepassados, com o respeito aos que nos antecederam e sua sabedoria adquirida pelos anos de provações e experiência nas suas encarnações anteriores à representação do panteão dos orixás africanos, vistos como emanações energéticas de um Deus maior. Aproxima-se dos santos católicos pelo sincretismo religioso, que foi a solução encontrada pelos antigos escravos para seguir cultuando seus deuses natais em terras distantes. Com uma sábia representação de cada orixá relacionado a um "par" católico que abrangesse sua "personalidade", suas características pessoais, uniram a vertente afro com o tradicional e rigoroso catolicismo, que lhe emprestou a disciplina, a seriedade de propósitos e uma doutrina religiosa pautada em rituais e simbologias, sem chegar a uma austeridade totalitária. Em várias de suas belas cantigas, conhecidas como "pontos cantados", os santos e elementos da natureza se misturam, dando a força da união às palavras entoadas em coro. Os cânticos da Umbanda são de uma beleza ímpar, e muitos tornaram-se populares por intermédio de cantores populares.
A Umbanda também agrega elementos ritualísticos das religiões africanas no culto aos orixás. Mas vale ressaltar que os nossos orixás são representados pela presença de uma entidade bastante evoluída, que vem trazer a energia daquele orixá à terra. Não temos a pretensão – e nem nos caberia ter – de compararmos os orixás da Umbanda aos do Candomblé de qualquer de suas nações. Por vezes eles se apresentam de forma bem similar, mas são manifestações diferentes até pela ritualística e formação dos médiuns. Mas em termos de oferendas, a Umbanda utiliza as ervas, os grãos, as frutas e pratos que podem vir a ser usados também pelo Candomblé. A Umbanda não pratica a matança, o oferecimento de animais em louvor aos orixás ou entidades. Utilizamos o que é chamado de "comidas secas" para nos harmonizarmos com eles e com a nossa energia vital original.
A Umbanda traz algo do Kardecismo, quando suas casas propagam e estudam a doutrina espírita e acolhe em seus terreiros irmãozinhos encarnados e desencarnados que são obsessores ou obsediados, irmãos que vêm às vezes em busca de uma palavra, de um conforto, de uma luz, ou que são conduzidos ate nós com o propósito de obter uma ajuda que possa a vir a libertá-los das trevas momentâneas em que se encontram. Somos uma religião (ou seita, como preferirem) democrática, onde todos são bem-vindos e bem-acolhidos.
A Umbanda oferece a possibilidade de que conversemos com nossas entidades em busca de orientação para a nossa vida pessoal ou para a de pessoas que necessitem. O intuito desta comunicação é a evolução de todos nós, médiuns e entidades, e a luta para elevar a vibração positiva do nosso planeta fazendo a nossa parte, proporcionando a caridade àqueles que não tem com quem contar, tentando resgatar "almas" que se bandeiam para "o outro lado da força", para que encontrem a paz e a realização em fazer o bem e a caridade.
Uma das características primordiais e definitivas da Umbanda é fazer o bem, e somente o bem. Caso contrário, não é Umbanda. É uma tarefa árdua, que exige muita disciplina dos médiuns, muito autocontrole, porque somos todos humanos e falíveis, mas tentamos levar ao nosso dia-a-dia enquanto seres sociais e que se relacionam com todo tipo de pessoa o nosso exemplo, a nossa conduta, a nossa filosofia de vida, sem contudo impor nada a ninguém.
Umbanda é comunidade, é corrente unida nesses propósitos. A união entre as casas, o respeito, a mão estendida para auxiliar é fato entre nós.
Há os que dizem que foram em uma casa onde nada disso acontece, que não gostaram do que viram, onde não era exatamente assim, enfim, o que é possível. O mesmo pode se passar em todas as religiões conhecidas. Religiões são conduzidas pelos seres humanos. Por questões kármicas ou evolutivas, há pessoas e pessoas, lugares e lugares. A espiritualidade não interfere de uma forma geral para não interferir em nosso livre-arbítrio. Mas nos acompanha e nos aconselha. As vezes podemos passar por uma ma experiência para que possamos reconhecer a diferença e fazer a nossa escolha. Mas sempre, a responsabilidade da nossa escolha será sempre nossa. Portanto, mesmo que você não siga a Umbanda, por favor, faça a sua parte. A responsabilidade de tornar este mundo melhor também é sua, quer você queira ou não! Melhor que você queira, então, não?
Muito axé e muita luz!

Comentários

  1. "Quem segue a justiça e a lealdade, encontra vida, justiça e honra" Pv.21.21
    21.21 é para lembrar de onde nos conhecemos!Nada é por acaso...
    Parabéns pelo blog!Estou aprendendo bastante!
    Super beijo

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas