Sobre os Orixás

Na Umbanda, cultuamos os Orixás como a representação maior das forcas da natureza. A força que guia cada um de nós, que nos dá vida, segundo a vontade de Deus. Historicamente, os Orixás foram "absorvidos" do africanismo e adaptados à nossa realidade. Todas as Entidades de Umbanda vêm na linha e na falange de um determinado Orixá, assim como todos nós encarnados também estamos sob suas influências.
Na Umbanda, todos nos somos filhos de Oxalá. Ele é sincretizado como Jesus Cristo, o Salvador. Portanto não se incorpora Oxalá na Umbanda. É o Orixá a que dedicamos o maior respeito, como sendo o nosso Pai Maior. Em seguida, temos o fato de que cada um de nos é filho de dois Orixás, um masculino – pai, e um feminino – mãe. Eles são seguidos por mais um casal de Orixás, chamados de "adjuntós" ou simplificados como "juntós", também carinhosamente designados como "padrinho" e "madrinha". E consecutivamente, outro casal, e um último casal, hierarquicamente organizados, compondo os oito Orixás da Umbanda, que constituem a nossa coroa, ou como eu costumo chamar, a nossa "configuração pessoal". Há casas de Umbanda que os cultuam como sendo as 7 Linhas de Umbanda. Sua denominação e descrição passa a variar um pouco. Em nossa casa, os cultuamos como os quatro masculinos (Omulu/Obaluaê, Xangô, Ogum e Oxóssi) e os quatro femininos (Nanã, Iemanjá, Iansã e Oxum), e Oxalá.
Acreditamos que o Orixá se manifesta em nossos médiuns por meio de um falangeiro altamente evoluído, que o representa em terra. Não temos a pretensão de incorporar a energia das tempestades, ou dos mares, das montanhas ou afins, pois seria muita coisa, mas sentimos a forte vibração que esses falangeiros nos trazem e representam. Eles raramente falam. Se comunicam por gestos, quando necessário, mas podem balbuciar algumas palavras se não houver outro jeito.
O fato de sermos filhos de dois Orixás nos faz sentir a influência da sua energia no nosso dia-a-dia, seja pelo nosso temperamento, seja pelas nossas tendências, seja pelo tempero que eles dão a nossas vidas. É a sua energia. Somos energia. Portanto, podemos estar positivamente ou negativamente energizados, dependendo do nosso estado de espírito, das influências do nosso meio, do ambiente, das pessoas com as quais estamos em contato, sejam elas nossa família, amigos, ou colegas de trabalho, assim como o contato que se produz com estranhos na nossa rotina diária, e também o nosso equilíbrio. Não devemos esquecer que enquanto médiuns, podemos receber vibrações que não sejam nossas, e atrair determinadas forças. Portanto, se estamos desenergizados ou mal-energizados, podemos ter reações negativas na nossa vida. Eu particularmente não acredito em "surra de santo", ou ter a vida virada de cabeça para baixo por termos optado por algum motivo nos afastar de um Centro ou da Umbanda. Pode até haver uma "surra", mas quando há, acho que acontece com o auxilio humano, seja pela influencia psicológica por via da imposição do medo, ou pela "mexida de pauzinhos" pela parte de alguém, o que acho bastante condenável. Mas se a pessoa esta por si só negativa, o negativo de seus Orixás se manifesta pela sua energia. Mas não consigo entender pessoas que buscam a Umbanda - e o Espiritismo em geral – para "melhorar de vida". Já ouvi de varias pessoas que iam deixar a vida espiritual porque a vida deu para trás, ou porque não conseguiu isso ou aquilo. Se fosse assim, zeladores de santo jamais morreriam, ficariam doentes ou seriam pobres. Nunca ouvi ninguém dizer que procuraria outra religião qualquer com esse mesmo fim. Então porque seria diferente no Espiritismo? O fato é que quando se esta em contato com o mundo espiritual, com a evolução espiritual, com o conhecimento da grande verdade universal, se aprende, e quanto mais se sabe, mais responsabilidade se tem. E a queima de karma acelera. Os problemas que você iria enfrentar em dez anos podem ser abreviados para cinco, ou um tempo mais resumido. Para que você queime suas dívidas kármicas mais rapidamente. Para que tenha essa opção, por ter adquirido conhecimentos e ferramentas para lidar com elas mais objetivamente. E "o Pai não nos dá um fardo maior do que podemos carregar"... Portanto não se deve culpar os Orixás ou a Umbanda por isso.
Nem sempre somos filhos dos Orixás que mais admiramos. Muita gente gostaria de ser filho desse ou daquele Orixá. Mas é de um outro, que aprende a amar e respeitar com o passar do tempo. É uma relação de amor, portanto deve ser alimentada e trabalhada com carinho e paciência, por ambas as partes. Da mesma forma que reencarnamos no seio de uma família que tem ligações anteriores de todo tipo, de relações de amor, ódio, respeito, admiração, desprezo, enfim, resgates vários que todos conhecemos, assim é a "Família de Santo", incluindo Orixás, dirigentes e seus filhos. Nós encarnamos sendo filhos de determinados Orixás para que possamos resgatar karmas relacionados à sua energia, sob sua tutela. Escolhas que fazemos antes de nascer, e que por vezes não entendemos quando elas acontecem, pois não nos lembramos quando a religião nos chama. Quando a tal da "responsabilidade" bate à nossa porta. Muita gente se recusa a entrar na vida religiosa alegando ser muita responsabilidade. Sim, é muita responsabilidade, porque ela é uma responsabilidade consigo mesmo. Com a sua energia, que está pedindo que você se harmonize com seus Orixás, com as suas Entidades, com a sua evolução, com a sua energia original. Você estará se dedicando, na verdade, a si mesmo. À energia maior que vibra em você, ao seu Deus interior, que nada mais é que o grande Deus da humanidade.
Cuidar dos Orixás demanda somente disciplina, dedicação de peito aberto e aprendizado, que vem junto com o desenvolvimento mediúnico, através de palestras teóricas e manifestações praticas. É uma mistura de auto-conhecimento com a vivência das energias que se manifestam na nossa religião, por meio de nossos "amigos do espaço" e pela energia maior da vida.
Mais à frente, entrarei no mérito de cada Orixá especificamente, despretensiosamente.
Axé!

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